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Ora iê iê ô, Oxum! Ora iê iê ô, São João del-Rei!

São João del-Rei nasceu do ouro. Foi este metal dourado que - assim como a Estrela Guia levou os Reis Magos até a gruta de Belém - atraiu os bandeirantes, os aventureiros, os forasteiros e o poder português, fazendo brotar aqui o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes. Aqui o ouro foi esplendor que reluz até hoje...

Se o ouro foi a semente fértil do velho Arraial, São João del-Rei é, também, filha de Oxum - yabá das mais belas e nobres das religiões brasileiras de matriz africana. Oxum é a essência feminina em sua forma mais delicada, encantadora, amorosa, maternal. Rainha, é dona do ouro e de tudo o que é dourado. Mulher, é mãe da infância e da doçura. Natureza, vive na água doce que cai em cascatas e cachoeiras. Etérea, é senhora do dia e da noite de astros brilhantes.

Talvez por desconhecimento deste laço original e pelos rumos que historicamente tomou a presença negra nesta região, em São João del-Rei não se realizam homenagens coletivas a Oxum. Seu culto acontece no interior dos barracões, terreiros e tendas que praticam a religiosidade afro-brasileira em suas diversas vertentes, cada qual com seu ritual próprio, composto por toques, cantos, movimentos, flores, perfumes e comidas peculiares.

Como por exemplo o que acontecerá no próximo sábado, dia 31, às 19 horas, na Associação Afro-brasileira Casa do Tesouro – Egbe Ile Omidewa Ase Igbolayo, no alto do bairro Guarda-Mor, à Rua Vereador Vicente Cantelmo, 875.

Por todas as suas energias e características suaves, férteis, afetuosas, generosas, belas, pródigas, estéticas, harmoniosas, inspiradoras e benfazejas, Oxum é um dos orixás que mais prestígio, admiração e carinho recebe dos brasileiros. Assim como ela se alegra com flores, perfumes, espelhos e outras coisas que evidenciam bondade, requinte, suavidade, bom gosto e conforto, seu ritmo preferido é o Ijexá, dançado inclusive fora do contexto religioso, em festas populares onde se celebra a alegria de viver e se reverencia a grandiosidade da alma negra.

Se você quer saber um pouco mais sobre o Ijexá e até se arriscar a tocar o ritmo, preste a atenção nesta oficina.

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