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Nossa Senhora do Pilar e seu coração de ouro, batendo dourado no peito de São João del-Rei


São João del-Rei, 12 de outubro.  Em 2015, pouco depois das seis da manhã, todos os sinos já dobram em conjunto. Começam, em matinada, o concerto sonoro da alvorada de Nossa Senhora do Pilar - padroeira e madrinha da cidade, irmã da espanhola Zaragoza, onde a Virgem apareceu ao apóstolo São Tiago.

Toques de sino o dia inteiro, alfaias, velas, cortinas vaporosas, chuvas de flores, aromas, tapetes de pétalas e areia colorida, música da Orquestra Lira Sanjoanense, foguetes, banda de música, fogos de artifício. São João del-Rei é vida, fé e festa no dia 12 de outubro.

Hoje menos do que antes, antigamente São João del-Rei era ainda mais festiva no dia 12 de outubro. Em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, ao meio dia todas as casas - principalmente as mais humildes, dos recantos, bairros periféricos, dos altos e encostas - soltavam uma artilharia de foguetes, em meio a velas acesas, incenso em brasa e a voz da Rádio Aparecida do Norte, bradando a imaculada consagração.

A indústria cultural, tecnológica e digitalizada, povoou o mundo de simulacros, desterrou a simplicidade da alma, desalmou sentimentos puros. Secou o orvalho da esperança, ofuscou o brilho do olhar, condensou a brisa dos pulmões, transformou em neon a luz dos arco-íris, criou vácuos de existência.

Mas os sinos insistem e dobram. Tapetes coloridos de areia e serragem se estendem dos dedos dos jovens, de homens de vida bruta e alma pura. Das rendilhadas sacadas de ferro a primavera chove flores e exala perfume. Velas se acendem na luz das estrelas. A banda toca e a orquestra de anjos canta antífonas de antigamente.

Nossa Senhora do Pilar sai às ruas com sua coroa e cetro de ouro, catado na Serra do Lenheiro; o menino Jesus, desnudo, sorri pureza em seus braços. O céu se espalha colorido e feliz no chão de São João del-Rei. Todo dia 12 de outubro...


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