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Piuí! Café-com-pão-cachorro-não! Café-com-pão-cachorro-não canta o trem de ferro de São João del-Rei.


Historicamente tão importante quanto a riqueza barroca de São João del-Rei é o patrimônio ferroviário existente na cidade. Seus bens extrapolam o patrimônio material, móvel  e imóvel, composto principalmente pelo complexo arquitetônico da Estação Ferroviária, Rotunda, locomotivas e vagões, móveis e documentos do século XIX. Patrimônio também intangível, imaterial, se apresenta até como fenômeno e memórias auditiva e olfativa, com os apitos ora aflitos, ora alegres, ora decididos da maria fumaça e a sonoridade cardiorresfolegante dos vagões; com o cheiro oleoso da fumaça densa que envolve em nuvem o veículo muito mais que centenário. Patrimônio sentimental, de recordações e lembranças de maquinistas, foguistas, antigas crianças que acenavam adeus nos quintais e margens da linha férrea emendada por pontilhão e emoldourada de céu azul refletido em lagoas e rio.

Entretanto, notícias locais dão conta de que o patrimônio ferroviário móvel de São João del-Rei está carente de atenção e cuidados, pois algumas maria-fumaças, inativas, quase abandonadas, necessitam de restauração, preservação e conservação. Vão se entrevando, se carcomendo pela ferrugem de umidade, sereno e tempo.

Lançando mais um facho de luz sobre esta questão, vem a lembrança de que há 131 anos, no dia 28 de agosto de 1881, às 22 horas, chegou em São João del-Rei o trem inaugural da Estrada de Ferro Oeste de Minas - EFOM. Nele, vieram o imperador Dom Pedro II, a imperatriz Teresa Cristina e membros da Corte do Brasil, parlamentares, jornalistas e autoridades.

Em festa, a cidade se iluminou e se enfeitou com arcos de flores para a chegada da locomotiva que trazia o sonhado progresso. Com arcos de triunfo, para saudar a Estrada de Ferro Oeste de Minas, nas palavras do historiador Sebastião Cintra, "uma obra genuinamente são-joanense, que prestou bons serviços ao Brasil, no âmbito dos transportes".

Tão marcante é a presença do trem de ferro na identidade de São João del-Rei que dois grandes modernistas Andrades, o intelectual Oswald e o poeta Carlos Drummond, a sentenciaram em versos: perguntas, recomendações e convites.

"São João del-Rei, quem foi que apitou?", indagou o poeta Carlos.

"Ide  a São João del-Rei, de trem", pediu o paulista Oswald.


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