quinta-feira, 28 de junho de 2012

São João del-Rei - Terra da Música sempre foi fértil para as palavras grandiosas e eloquentes

Casarão colonial, tendo ao fundo as torres da Matriz do Pilar de S.J. del-Rei

Tão acostumados são os são-joanenses às pregações que fazem parte das grandes festas religiosas, complementando e situando no tempo e espaço o que representam as celebrações barrocas, que muitos deles - principalmente os bem-vividos - são capazes de se revelar excelentes oradores e fazer, de improviso e com propriedade, os mais tradicionais e setecentistas sermões: Sermão do Encontro de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos com sua mãe Maria Santíssima, Sermão do Calvário, Sermão do Descendimento da Cruz e vários outros. Se um orador sacro, ao ocupar o púlpito em uma destas ocasiões, não corresponder à expectativa na narração da história sagrada, tricentenariamente tão conhecida da população de São João del-Rei, com certeza causará críticas, frustrações e descontentamentos.

Pelo que se percebe, tão comuns no século XVIII, os sermões desde sempre fazem parte da história de São João del-Rei. Tanto que José Álvares de Oliveira, na obra escrita em 1750 relatando os primórdios da criação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes, refere-se às pregações feitas pelo orador sacro Mathias  Barbosa na Matriz de Nossa Senhora do Pilar.

Vários são os documentos históricos que tratam deste tema. Um exemplo, anterior até ao citado registro de Álvares de Oliveira, é o Livro de Compromisso da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo são-joanense relativo ao ano de 1727. No seu Capítulo 32, fala sobre os cuidados que deveriam ser tomados para que o pregador dos Sermões dos Passos das Sextas Feiras da Quaresma e de outros sermões da Ordem fosse compatível com a "grande devoção e piedade com que a Venerável Ordem Terceira do Carmo faz nas tardes das sextas feiras da Quaresma, à memória dos Passos da Sagrada Paixão de Cristo Senhor Nosso".

O mesmo Livro de Compromisso orientava quanto à "observância dos estilos até aqui (1727) praticados, para não desgostar nossos Irmãos zelosos e também pelo crédito de nossa religião nas ditas sextas feiras, em que concorre a maior parte desta cidade" e recomendava que o bom pregador fosse escolhido e convidado com grande antecedência, "a tempo para que estes se não possam escusar, alegando que têm já outros sermões".
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Fonte: MASSIMI, Marina. A Pregação no Brasil Colonial. Acessada em 26/06/2012 em http//www.cielo.br/scielo.php?pid=S0104-87752005000200009&script+sci arttext

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