Pular para o conteúdo principal

Muxinga. Em São João del-Rei todo mundo sabe onde fica. Pouca gente sabe o que significa


Famosa em São João del-Rei por ser o endereço do artesanal e encantado presépio natalino (foto), de dois grandes e centenários cemitérios e, mais recentemente, da Capela do Espírito Santo e do Memorial Natividade, a ladeira da Muxinga é um lugar bastante conhecido dos são-joanenses. Inclusive é a rua onde muitos, contrariados, passam pela última vez, a caminho da derradeira morada.

Não fosse a urbanização, com certeza facilmente se confundiria com um morro, parte de uma montanha, tão acentuadas são suas curvas e inclinações. Em uma subida tem até duas alternativas de acesso: uma para carros e outra para pedestres, a segunda na forma de escadaria de pedras, disfarçada em degraus largos, com corremão de ferro. Do alto da Muxinga se tem belas e inusitadas visões facetadas e conjuntas do harmonioso e barroco centro histórico são-joanense, com suas torres, janelas, jardins e telhados.

Tudo indica que o nome Muxinga existe desde as primeiras décadas da elevação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes à categoria de Vila de São João del-Rei, mas nem todos sabem o que a estranha denominação significa. O saudoso historiador Fábio Nelson Guimarães, no seu livro Ruas de São João del-Rei, escreve linhas elucidativas sobre o topônimo Muxinga.

Sujeira, pancadaria e bordoada, ele aponta como sinônimos de Muxinga, e lembra que esses significados têm muito a ver com a localidade. Afinal, fica atrás da antiga cadeia pública (hoje Museu de Arte Sacra) e era o local onde os presos, no tempo colonial, eram levados para, sob ameaças e violências, confessarem suas culpas. Sem dúvida, muita sujeira, pancadaria e bordoada rolou por ali...

Outro sentido que ele apresenta para a palavra Muxinga é "depressão de solo, onde se acumulam sujeiras e ouro de aluvião" e, neste mesmo sentido, informa que Muxinga é palavra africana, que dá nome a "uma serra ao norte de Moçambique, muito rica em ouro."

Bom, o que é Muxinga, agora quem leu sabe!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Debaixo de São João del-Rei, existe uma São João del-Rei subterrânea que ninguém conhece.

Debaixo de São João del-Rei existe uma outra São João del-Rei. Subterrânea, de pedra, cheia de ruas, travessas e becos, abertos por escravos no subsolo são-joanense no século XVIII, ao mesmo tempo em que construíam as igrejas de ouro e as pontes de pedra.

A esta cidade ainda ora oculta se chega por 20 betas de grande profundidade, cavadas na rocha terra adentro há certos 300 anos.  Elas se comunicam por meio de longas, estreitas e escuras galerias - veias  e umbigo do ventre mineral de onde se extraíu, durante dois séculos, o metal dourado que valia mais do que o sol.

Não se tem notícia de outra cidade de Minas que tenha igual patrimônio debaixo de seu visível patrimônio. Por isto, quando estas betas tiverem sido limpas e tratadas como um bem histórico, darão a São João del-Rei um atrativo turístico que será único, no Brasil e no mundo.

Atualmente, uma beta, nas imediações do centro histórico, já pode ser visitada e percorrida. Faltam outras 19, já mapeadas, dependendo da sensibiliza…

Padre José Maria Xavier, nascido em São João del-Rei, tinha na testa a estrela da música barroca oitocentista

 Certamente, há quase duzentos anos, ninguém ouviu quando um coro de anjos cantou sobre São João del-Rei. Anunciava que, no dia 23 de agosto de 1819, numa esquina da Rua Santo Antônio, nasceria uma criança mulata, trazendo nas linhas das mãos um destino brilhante: ser um dos grandes - senão o maior - músico colonial mineiro do século XIX. Pouco mais de um mês de nascido, no dia 27 de setembro, (consagrado a São Cosme e São Damião) em cerimônia na Matriz do Pilar, o infante foi batizado com o nome José Maria Xavier.

Ainda na infância, o menino mostrou gosto e vocação para música. Primeiro nos estudos de solfejo, com seu tio, Francisco de Paula Miranda, e, em seguida dominando o violino e o clarinete. Da infância para a adolescência, da música para o estudo das linguas, José Maria aprendeu Latim e Francês, complementando os estudos com História, Geografia e Filosofia. Tão consistente era seu conhecimento que necessitou de apenas um ano para cursar Teologia em Mariana. Assim, já ordenado…

Em São João del-Rei não se duvida: há 250 anos, Tiradentes bem andou pela Rua da Cachaça...

As ruas do centro histórico de São João del-Rei são tão antigas que muitas delas são citadas em documentos datados das primeiras décadas do século XVIII. Salvo poucas exceções, mantiveram seu traçado original, o que permite compreender como era o centro urbano são-joanense logo que o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes tornou-se Vila de São João del-Rei.
O Largo do Rosário, por exemplo, atual Praça Embaixador Gastão da Cunha, surgiu antes mesmo de 1719, pois naquele ano foi benta a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, nele situada e que originalmente lhe deu nome. Também neste ano já existia o Largo da Câmara, hoje, Praça Francisco Neves, conforme registro da compra de imóveis naquele local, para abrigar a sede da Câmara de São João del-Rei. A Rua Resende Costa, que liga o Largo do Carmo ao Largo da Cruz, antigamente chamava-se Rua São Miguel e, em 1727, tinha lojas legalizadas, funcionando com autorização fornecida pelo Senado da Câmara daquela Vila colonial.  Por …