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O diabo dia e noite no dia a dia da antiga São João del-Rei

Hoje as coisas estão muito diferentes, mas antigamente o diabo estava presente dia e noite em todas as coisas de São João del-Rei. Afinal, quanto maior for a religiosidade de um povo, mais canais e ambientes existem para as pessoas estabelecerem relacionamentos com o mundo sobrenatural. E sendo São João del-Rei uma cidade tão religiosa, imagine ... Principalmente pelos são-joanenses mais simples, mais humildes, mais crédulos e menos letrados, a presença do anjo das trevas era muito temida. Chegava às vezes a ser pressentida e evitada, mas as vezes, em situações diversas, seu nome era exclamado e, mais raramente, até invocado. Quem nunca ouviu: - isso é coisa do diabo! ou, - mas que diabo, sô!, ou, ainda, - vai pro diabo que o carregue!? Se fora de hora o galo fazia barulho estranho no galinheiro, tinha-o visto passar por perto. Se algum objeto ou documento misteriosamente sumia dentro de casa, era ele que tinha escondido. Se alguém se via diante de um desejo incontrolável de faze...

Quanto vale a Legalidade deste Chafariz de São João del-Rei?

O centro histórico de São João del-Rei é rico de belas paisagens e templos tão grandiosos que alguns monumentos importantes, muitas vezes, passam despercebidos até mesmo da própria população. É o caso do Chafariz da Legalidade, que há um bom tempo está abandonado, sob o pretexto de estar em obras. Uma pena! Ele é um monumento gracioso e delicado, erigido em 1833, para eternizar um momento importante da história da cidade, onze anos após a independência do Brasil. É o único chafariz de cantaria ainda existente em São João del-Rei e tem acabamento esmerado  e linhas arquitetônicas esbeltas  e elegantes, em um estilo artístico que nos leva de volta à época do Brasil Império. Fica em um larguinho muito simpático, no muro de arrimo do Grupo Escolar Maria Tereza. É cercado por um jardim verde, hoje muito mal cuidado, mas que  poderia ser transformado em um orquidário, em uma área de convivência. Com pouco esforço e um modesto investimento, poderia se tornar até  um ...

Presciliano Silva, dizem os músicos, é um dos maiores compositores sacros de São João del-Rei

Se "palavra de rei não volta atrás", de palavra de músico não se duvida. Escrita em pautas, é pura música, que se solfeja, toca e canta! Sendo assim, inegavelmente, Presciliano Silva é um dos mais importantes compositores barrocos de nossa região. E quem diz isso? Quem mais conhece desse assunto: os músicos mais velhos das setecentistas orquestras Lira Sanjoanense e Ribeiro Bastos e da Sociedade de Concertos Sinfônicos de São João del-Rei. Mesmo quem não conhece seu nome, conhece algumas peças de sua obra, como a emocionante Ó Vos Omnes - uma das mais belas composições inspiradas nesta lamentação relativa ao sofrimento da mãe dolorosa, executada em diversos momentos da Festa de Passos e no rito da Comunhão, na tarde da Sexta-Feira da Paixão, na Matriz do Pilar. Presciliano nasceu em São João del-Rei em 1854, onde sua carreira musical foi muito fértil, não só com obras de finalidade religiosa, mas também com composições para piano, atualmente desconhecidas, mas que fora...

No mês de agosto, sem lugar para o desgosto, São João del-Rei mais parece um conto de fadas!

Conta a lenda que agosto é o mês do desgosto. Se é em várias partes do mundo, pelos mais diversos motivos, em São João del-Rei não é bem assim. Afinal, é no oitavo mês do ano que, há mais de 280 anos, a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte realiza uma celebração barroca que, sem dúvida nenhuma, nos moldes em que acontece, é única no mundo: a dormição de Nossa Senhora, sua assunção ao Céu e coroação pelas três pessoas da Santíssima Trindade. Mas se, com o mesmo enredo, existir outra similar em algum lugar do planeta, de modo algum é tão bonita quanto a de São João del-Rei. Tudo o que a envolve é de tamanha e tão bela delicadeza, que parece mesmo ser o sonho de Nossa Senhora. Um sonho que dura onze dias, ocupados por uma novena, uma piedosa e longa vigília, uma soleníssima missa cantada, duas magníficas procissões e o canto do Te Deum . Não é atoa que as solenidades da Boa Morte são a festa religiosa são-joanense que inspirou o maior número de compositores locais, desde o ...

Museu de Arte Sacra é o oratório vivo da fé, da cultura e da arte de São João del-Rei

Quando o assunto é museu, São João del-Rei é uma cidade pródiga. Confirmando sua riqueza histórica e culltural, a terra onde os sinos falam tem, no mínimo, dez instituições culturais que de fato são, ou podem ser consideradas, museus. São elas o Museu Regional do IPHAN, Museu de Arte Sacra, Museu Ferroviário, Museu da FEB, Museu Municipal Tomé Portes d'El-Rei, Museu do Barro, Memorial Cardeal Dom Lucas, Memorial Presidente Tancredo Neves, o Centro de Referência Musical José Maria Neves e o Presépio da Muxinga, que bem poderia se tornar a semente do Museu do Natal. Há muito tempo, o Museu dos Sinos é um sonho, mas ainda não se realizou. Peças, memórias e registros visuais e sonoros para seu acervo é o que não faltam! Mas o que torna um museu verdadeiramente importante e útil para a sociedade não é apenas o tamanho ou a riqueza de seu acervo. Mais do que isso, é principalmente a sua vitalidade enquanto instituição pública a serviço da memória, ou seja, os laços vivos que ele est...

São João del-Rei 2007-2017: Dez anos Capital Brasileira da Cultura

Há dez anos, em 2007, São João del-Rei recebeu um título de grande valor: " Capital Brasileira da Cultura ". Mais do que uma simples homenagem, essa honraria foi a expressão nacional de reconhecimento da importância de nossa terra para a educação, as ciências, as artes - enfim para a cultura de nosso país. No mesmo sentido, merecidamente, no ano seguinte, São João del-Rei se autodeclarou " Capital Brasileira da Cultura para Sempre " - uma iniciativa muito lúcida, pois o significado de uma história como a nossa 'não tem prazo de validade'! Como Capital Brasileira da Cultur a, durante todo o ano de 2007 nossa cidade sediou uma série de eventos que movimentaram ainda mais a vida cultural de São João del-Rei, que normalmente já é sempre muito intensa. Em dezembro daquele ano, quando a cidade preparava-se para cumprimentar a nova cidade-irmã que também receberia "o título, a faixa, o cetro e a coroa", a Secretaria da Cultura de Minas Geras...

Em São João del-Rei o come-quieto come melhor debaixo de seu próprio teto

A culinária de Minas tem lugar de destaque na cozinha brasileira. Dos saborosos e fartos pratos dominicais e festivos, capitaneados pelo lombo com tutu ou pelo feijão tropeiro, com arroz branco, couve e um enorme séquito de acompanhamentos,  onde se destacam o torresmo, a farofa, a maionese caseira, até o trivial feijão com arroz mais simples, feito à hora com verduras e legumes colhidos nos canteiros do quintal, que começa na porta da cozinha, e um ovo caipira frito, pego no ninho do galinheiro. Cachaça. Caipirinha de limão rosa ou de limão galego.Tudo que se come e se bebe na casa mineira é tão sagrado quanto foram o pão e o vinho na santa e última Ceia de Cristo com os apóstolos. Talvez desse modo se explique o fato de, em sua terra, o mineiro nato não ser tão chegado a comer fora. O come-quieto sabe que o que há de melhor é o que ele come sob seu teto. Mas para ele, no rotineiro dia a dia, da porta da rua para fora, também tem pedaços do Paraíso; alguns espaços se salv...

São João del-Rei de todos os tempos, de todos os estilos, sem preconceito...

Andar pelo centro histórico de São João del-Rei, prestando atenção nos detalhes de sua arquitetura, é uma viagem no tempo, rica de linhas e estilos - um prato cheio para dar asas à imaginação. Além das torres, telhados, frontispícios, pináculos, portadas, colunas, cornijas, coruchéus, cimalhas, rocalhas, ombreiras, aldabras e tudo o mais que é tipico da arquitetura colonial, a cidade possui exemplares  preciosos de outros estilos arquitetônicos característicos a séculos seguintes ao período setecentista, também muito ricos em suas figuras, linhas e curvas. Isto, aliás, é o que particulariza São João del-Rei em relação a outras cidades históricas mineiras, tornando-a arquitetonicamente mais plural, diversificada e rica, como um relógio que marca a passagem do tempo, por meio de suas construções. Figuras de animais, letras , flores, plantas, flechas, setas, estrelas, corações, enfeitam diversas construções do centro histórico e de outras áreas antigas um pouco mais afastadas, ...

As linhas da mão e a fibra real do coração de São João del-Rei

Cidade colonial, barroca, as linhas de São João del-Rei, em sua maioria, são curvas. Curvas telhas, curvas torres, curvas beira-seveiras, curvas pontes, curvas conchas, rocalhas e volutas, curvas barroquices, como a curva lua crescente de prata que firma o pé de Nossa Senhora da Assunção, em sua subida ao céu no dia 15 de agosto. Diferentes destas, tem também a linha do trem, paralela e reta, que agora só leva à vizinha Tiradentes... Mas além destas, tem muitas outras linhas, que desenham o passado no presente, mostrando às vezes o que, a olho nu, no corre-corre da rotina, muitas vezes não se vê: as tramas do pau-a-pique das velhas paredes, os detalhes das aldabras e dos gradis de ferro batido, a harmonia secular das pedras pé-de-moleque, as nervuras e formatos das pétalas e das folhas de nossas plantas devocionais e da medicina popular. Tudo isso tem fibra, e esta fibra é real. Isso mesmo: Fibra Real é o nome de um projeto são-joanense muito interessante. Discreto como os minei...

Missa do Aleluia. Um dos mais belos ritos da Semana Santa de São João del-Rei

Depois do esplendor, do encantamento e da intensidade maravilhosamente sensorial e dramática que são a Festa de Passos – desde as Vias Sacras até o Setenário das Dores, passando pelas rasouras e procissões do Encontro – e a Semana Santa de São João del-Rei – desde o Ofício de Ramos, até os ofícios de Trevas, o Canto da Paixão, Adoração da Cruz, descendimento e Procissão do Senhor Morto – é praticamente impossível imaginar que, complementando as celebrações da Paixão de Cristo, ainda possa haver algo uno, e de tamanha beleza, que seja capaz de exaltar de prazer todos os sentidos, da visão ao olfato, da audição ao tato. Mas existe. É a Missa do Aleluia! Diferentemente de outras ocasiões, em uma das três portas principais da matriz do Pilar, há velas a venda, que as pessoas tranquilamente compram e conservam apagadas. Nas 20 horas que neste dia o relógio não bate, o ritual começa em absoluto silêncio, do lado de fora, do lado esquerdo de quem sobe o adro da igreja, então guarnecido ...