sexta-feira, 28 de abril de 2017

São João del-Rei de todos os tempos, de todos os estilos, sem preconceito...


Andar pelo centro histórico de São João del-Rei, prestando atenção nos detalhes de sua arquitetura, é uma viagem no tempo, rica de linhas e estilos - um prato cheio para dar asas à imaginação. Além das torres, telhados, frontispícios, pináculos, portadas, colunas, cornijas, coruchéus, cimalhas, rocalhas, ombreiras, aldabras e tudo o mais que é tipico da arquitetura colonial, a cidade possui exemplares  preciosos de outros estilos arquitetônicos característicos a séculos seguintes ao período setecentista, também muito ricos em suas figuras, linhas e curvas.

Isto, aliás, é o que particulariza São João del-Rei em relação a outras cidades históricas mineiras, tornando-a arquitetonicamente mais plural, diversificada e rica, como um relógio que marca a passagem do tempo, por meio de suas construções.

Figuras de animais, letras , flores, plantas, flechas, setas, estrelas, corações, enfeitam diversas construções do centro histórico e de outras áreas antigas um pouco mais afastadas, com as finalidades mais diversas. Para os céticos, sua finalidade é apenas decorativa, algumas vezes informando, por meio de rebuscadas letras iniciais, quem foi o primeiro dono daquela casa, mas não falta quem diga que muitos destes estuques têm outros significados.

Estes, acreditam que alguns enfeites podem ter, até mesmo, a função de amuletos. Os animais, por exemplo, podem ser indicativos de força e poder, protegendo aquela família contra inveja, mau-olhado e outros malefícios. Flechas cruzadas e rosto de índio também têm a mesma finalidade. Do mesmo modo, folhas e flores podem significar prosperidade, vitória e o desejo de viver feliz em meio à fartura e à generosidade do universo.

Hoje raras e dispersas em áreas populares e menos nobres, algumas residências possuem na frente, montada por quatro ladrilhos, a imagem de um santo católico, informando claramente que ele é a principal devoção, o santo protetor do dono da casa.

A diversidade é tamanha que, na lateral direita de quem sobe a escadaria da igreja das Mercês, tem até uma casa que a varanda é guarnecida pelas colunas do Palácio da Alvorada. É só andar, olhando atentamente em volta, para ver!

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Texto e foto: Antonio Emilio da Costa

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