Pular para o conteúdo principal

São João del-Rei. Pedacinho do céu de onde nascem todos os santos.


São João del-Rei mantém, e dia a dia até fortalece, um ofício antigo, natural na cidade desde as primeiras décadas do século XVIII: os escultores santeiros, que precisam apenas de cinzel e martelo, troncos de madeira ou blocos de pedra, para fazerem nascer cristos, anjos, virgens, santos, querubins, mártires e toda a falange sagrada que, desde os tempos do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar, faz esta cidade mais parecer um espelho do céu.

De 1704 até hoje muita coisa mudou, o mundo deu muitas voltas. Muitas águas passaram debaixo das pontes do Rosário e da Cadeia, mudaram-se as crenças, as esperanças, os costumes, os desejos, as tecnologias, mas o fazer sagrado continua aceso entre o povo que vive à sombra da Serra do Lenheiro. Muito mais do que em qualquer outro lugar. Aqui, volta e meia se vê voar um novo anjo, chorar sangue um novo Cristo, acenar e sorrir uma nova santa - tudo brotando das mãos dos escultores santeiros de São João del-Rei.

Hoje, são bem mais que dez, muitos dos quais bastante jovens. Alguns da mesma família, aprendizes do pai. Outros, autodidatas. Há os acadêmicos, os especialistas, os intuitivos e os inventivos - todos criativos e grandes artistas. Uns já conquistaram reconhecimento nacional e internacional e há aqueles que ansiosamente aguardam por esta hora. E para isto calejam as mãos trabalhando divinamente, de sol a sol, todo santo dia...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Debaixo de São João del-Rei, existe uma São João del-Rei subterrânea que ninguém conhece.

Debaixo de São João del-Rei existe uma outra São João del-Rei. Subterrânea, de pedra, cheia de ruas, travessas e becos, abertos por escravos no subsolo são-joanense no século XVIII, ao mesmo tempo em que construíam as igrejas de ouro e as pontes de pedra.

A esta cidade ainda ora oculta se chega por 20 betas de grande profundidade, cavadas na rocha terra adentro há certos 300 anos.  Elas se comunicam por meio de longas, estreitas e escuras galerias - veias  e umbigo do ventre mineral de onde se extraíu, durante dois séculos, o metal dourado que valia mais do que o sol.

Não se tem notícia de outra cidade de Minas que tenha igual patrimônio debaixo de seu visível patrimônio. Por isto, quando estas betas tiverem sido limpas e tratadas como um bem histórico, darão a São João del-Rei um atrativo turístico que será único, no Brasil e no mundo.

Atualmente, uma beta, nas imediações do centro histórico, já pode ser visitada e percorrida. Faltam outras 19, já mapeadas, dependendo da sensibiliza…

Padre José Maria Xavier, nascido em São João del-Rei, tinha na testa a estrela da música barroca oitocentista

 Certamente, há quase duzentos anos, ninguém ouviu quando um coro de anjos cantou sobre São João del-Rei. Anunciava que, no dia 23 de agosto de 1819, numa esquina da Rua Santo Antônio, nasceria uma criança mulata, trazendo nas linhas das mãos um destino brilhante: ser um dos grandes - senão o maior - músico colonial mineiro do século XIX. Pouco mais de um mês de nascido, no dia 27 de setembro, (consagrado a São Cosme e São Damião) em cerimônia na Matriz do Pilar, o infante foi batizado com o nome José Maria Xavier.

Ainda na infância, o menino mostrou gosto e vocação para música. Primeiro nos estudos de solfejo, com seu tio, Francisco de Paula Miranda, e, em seguida dominando o violino e o clarinete. Da infância para a adolescência, da música para o estudo das linguas, José Maria aprendeu Latim e Francês, complementando os estudos com História, Geografia e Filosofia. Tão consistente era seu conhecimento que necessitou de apenas um ano para cursar Teologia em Mariana. Assim, já ordenado…

Em São João del-Rei não se duvida: há 250 anos, Tiradentes bem andou pela Rua da Cachaça...

As ruas do centro histórico de São João del-Rei são tão antigas que muitas delas são citadas em documentos datados das primeiras décadas do século XVIII. Salvo poucas exceções, mantiveram seu traçado original, o que permite compreender como era o centro urbano são-joanense logo que o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes tornou-se Vila de São João del-Rei.
O Largo do Rosário, por exemplo, atual Praça Embaixador Gastão da Cunha, surgiu antes mesmo de 1719, pois naquele ano foi benta a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, nele situada e que originalmente lhe deu nome. Também neste ano já existia o Largo da Câmara, hoje, Praça Francisco Neves, conforme registro da compra de imóveis naquele local, para abrigar a sede da Câmara de São João del-Rei. A Rua Resende Costa, que liga o Largo do Carmo ao Largo da Cruz, antigamente chamava-se Rua São Miguel e, em 1727, tinha lojas legalizadas, funcionando com autorização fornecida pelo Senado da Câmara daquela Vila colonial.  Por …