terça-feira, 29 de julho de 2014

Jardim Cerâmico do Éden brotou no centro historico de São João del-Rei

Do barro, Deus criou o homem, e da costela de barro do homem Deus criou a mulher. Conta o livro do Gênesis que  era o sexto dia da criação do mundo. Em São João del-Rei, um grupo de artistas repetiu o gesto divino e do barro criou um Jardim Cerâmico - várias flores, de várias especies e formatos, em elevados caules de ferro, entre as cordas vegetais da lira, que é o magnífico jardim do Largo de São Francisco. Talvez mais bonito e sedutor do que o próprio Jardim do Éden.

Eram 300 flores - anturios fálicos, genitalicos gerânios, veludosos copos de leite, cúbicas rosas, dolentes trombeteiras, ensolaradas margaridas, sorridentes girassois, florais frades franciscanos, brilhantes brincos da rainha, flores de maio em julho, esbugalhadas buganvilias, juvenis jasmins.

E as mais belas, atrevidas, sedutoras, surpreendentementeroticas meia-mulheres. Invertidas sereias vegetais, flores vulvovaginais, grossas coxas à mostra, graciosamente de cabeça para baixo, com inocência colocando o mundo, nossa imaginação e desejo à flor da pele, de ponta cabeça.

300 flores. Uma para cada ano que desde 1713 se passa na Vila de São João del-Rei, nos seus três séculos de história. Uma para cada cambalhota de 365 dias que a Terra deu em volta do Sol. Tudo nas pernas florais daquelas ingênuas mulheres criadas por Deus da costela de barro de Adão. Recriadas  em forma de flor neste mes de julho, num Jardim Cerâmico, no Largo de São Francisco, na tricentenaria São João del-Rei.


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