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Doces lembranças de maio em São João del-Rei


O Dia das Mães, como é hoje, é coisa nova em São João del-Rei. Não tem mais do que cinqutenta anos - muito pouco diante dos três séculos de história da cidade.

Mas de outro modo, as mães sempre foram homenageadas no quinto mês do ano na terra "onde os sinos falam". Aliás, eram exatamente eles - os sinos - que às seis da tarde, hora do Ângelus, anunciavam estar acabando mais um dia do Mês de Maria e ser hora de as famílias rezarem o terço, em casa, em volta do rádio, ou as pessoas solitárias, em conjunto e em voz alta, na penumbra das igrejas.

Mês azul de céu claro, estrelas vivas, vento manso, sereno ameno e perfumado, era um tempo doce. Libertos das penitências, sacrifícios, jejuns e abstinências da Quaresma, os são-joanenses desfrutavam com calma o outono, vendo dia a dia chegar mais perto a Festa do Divino Espírito Santo, da Santíssima Trindade, do Corpo de Deus, de Santo Antônio, de São João, e com elas o frio severo de manhãs orvalhadas, neblinas vespertinas e madrugadas de serração gelada.

Durante as semanas de maio, em dias diferentes, ao fim da missa das sete da noite, crianças vestidas de anjo coroavam de flor, no alto do altar, a imagem de Nossa Senhora (Coração de Maria). Cantavam hinos religiosos infantis, tocavam sininhos e jogavam pétalas na Virgem de rosto levemente pendido e mãos postas. Parecia um recorte do Céu, com anjos de toda cor, na capela-mor das douradas igrejas de São João del-Rei.

Hoje isto não é mais tão comum, mas de vez em quando, no mês de maio, naquela terra sagrada, ainda é possível se deparar com momentos sublimes como este abaixo, colhido na Matriz do Pilar em maio de 2013.


Foto: Mês de Maria na Matriz do Pilar (cerca 1980) cortesia KK Freitas

Comentários

  1. Seus textos são ímpares, caro Emílio e aguçam a vontade de (re)visitar a cidade onde os sinos falam!

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    1. Leo, vá sempre puder. Em SJDR, especialmente os amantes da história de Minas são bem-vindos! Gde abraço

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  2. Sei de cor as canções que cantei nestas coroações! Obrigada pelo texto que nos faz viajar para este altar novamente!

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    1. KK, a história nada mais é do que a soma dos dias de nossa vida. E sua vida, rica de vivências e memórias, é frase importante na história de SJDR. São-joanense, sou grato a você por isto. Grande abraço!

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