segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Lembrando os antigos carnavais, São João del-Rei pode rimar alegria e folia com soberania e cidadania!


Não são só a lembrança e a saudade dos são-joanenses mais velhos que dizem. Fotografias, panfletos, jornais antigos, marchas-rancho e sambas testemunham como era singular e grandioso o Carnaval de São João del-Rei por quase oito décadas no século XX.

Esta fotografia, de 1923, mostra como era aristocrático, respeitado, elegante e refinado o Club X - no estandarte identificado como X PTO.  O Rancho Carnavalesco Custa Mas Vae,  na marcha-rancho composta em 1929, para servir-lhe de hino, esnobou lirismo, erudição e conhecimento da mitologia grega para exaltar uma das mais antigas agremiações carnavalescas de São João del-Rei. Seu compositor, J. Colombiano, vulgo Collombo, assim escreveu:

                "Como estrela a cintilar
                  a luzir lá no céu / sempre azul.
                  Tal é o Custa Mas Vae
                  rivalizando com o Cruzeiro do Sul.

                               Phebo morre de ciúmes de ti
                                porque brilhas no Carnaval.
                               Vênus te rende homenagens.
                               És o Rancho Escola
                               o Rancho ideal.

                        És forte como Hércules,
T                     eu passado é de glória.
                        Tens um porvir glorioso,
                        viva a folia, viva a vitória!

                                 És bravo com denodo,
                                 e todos de ti bem dizem.
                                 Do Carnaval és a nata,
                                 brava gente heróica e juvenil.

                            Qual farol que ilumina o caminho,
                            tu és vencedor.
                            Sempre, sempre altaneiro,
                            brilhas com muito e com grande esplendor.

                                     Do civismo és a alta expressão.
                                     Tu jamais serás abatido.
                                     Timoneiro valoroso,
                                     és o Rancho Escola,
                                     o Rancho ideal!"

Por tanta beleza e tanta riqueza, já é hora de se começar a pensar na criação de um pequeno memorial do Carnaval de São João del-Rei - ação que bem pode ser capitaneada pela Secretaria de Cultura, dedicando para isto uma sala do Museu Tomé Portes del-Rei. Ninguém melhor do que a Associação São-joanense das Escolas de Samba, Blocos e Ranchos  para sair em campo na busca de materiais como fotografias, fantasias e adereços, desenhos de figurinos e alegorias, letras, gravações e partituras de sambas-enredo. Tudo com a participação e apoio dos antigos e novos carnavalescos, foliões, intelectuais, historiadores e ONGs que se dedicam à questão da cultura e da memória.

Aliás, por falar nisso, há anos a Atitude Cultural atua com esta visão. Além de criar o Carnaval de Antigamente, formou um banco eletrônico de imagens sobre o tema, a partir de imagens digitais cedidas pelos próprios carnavalescos, foliões e por suas famílias. Este material está o tempo todo disponível na internet e, na ocasião do Carnaval, sai às ruas para exposições itinerantes a céu aberto.

Quem foi que disse que folia e alegria não podem rimar com soberania e com cidadania? Só depende de intenção, participação e colaboração. Vocação para a felicidade? São João del-Rei já tem...

Uma curiosidade: pelo desenho do estuque da platibanda da fachada das casas ao fundo, pode-se arriscar que o local da fotografia é a antiga Prainha (hoje região do Terminal Turístico) Esteve o Pelourinho ali instalado no começo do século XX?


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