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Em São João del-Rei todas as ruas levam à religiosidade

São João del-Rei é território sagrado. Principalmente na região que compreende o centro histórico onde, a curtas distâncias entre si e das formas mais variadas, diversos marcos lembram e servem como pórticos para o são-joanense adentrar no universo profundo de sua religiosidade e chegar até as profundezas de sua fé, suas crenças e lembranças. Quem, andando pelos lados antigos de São João del-Rei, nunca viu um são-joanense, jovem ou mais vivido, interromper seu pensamento, diminuir o ritmo de seus passos e fazer o sinal da cruz ao passar diante de um cruzeiro, de um cemitério ou de uma igreja?  Este é um comportamento que, mesmo diante dos novos modelos, padrões e valores impostos pela sociedade hiperconectada, digital e virtual, continua firme como parte da rotina de muitos são-joanenses. E as razões são infinitas: pedir proteção divina, fortalecer-se na luta contra os maus e contra os males, abrir e desembaraçar os caminhos tortuosos e confusos, abrandar a ira e amansar o c...

Uma noite de serenidade, delicadeza e encantamento em São João del-Rei

Serenidade e delicadeza. Estas duas palavras são o espelho da noite do dia 14 de agosto em São João del-Rei. Uma noite suave e amena, às vezes fria, em que o centro histórico são-joanense parece envolvido por um silêncio de paz e coberto por um céu azul claro de nuvens tênues, que se movimentam lentamente, esgarçadas pela luz branca de uma lua cheia discreta e contemplativa. Mas essa atmosfera de tanta beleza e calma certamente seria menos percebida, se não fosse nela que Nossa Senhora da Boa Morte sai às ruas de pedra e tempo, adormecida em seu esquife, enfeitado de flores claras e conduzido por padres vestidos de branco. Aliás, essa atmosfera talvez só exista, como presente do firmamento ao povo de São João del-Rei, para nela deslizar o cortejo que conduz Nossa Senhora. Nesse momento, incapaz de ser medido na escala do tempo, por seu misterioso encantamento que funde, em uma mesma era, passado e eternidade, tudo é reticentemente mágico e sem-fim. De tempos em tempos, no desl...

Festa do Bonfim. Tesouro espiritual de São João del-Rei!

Gira o mundo, passa o tempo, renovam-se ideais, valores e desejos, vão-se costumes, fama, pessoas e nomes, apaga-se promessas, abandona-se juras... Acontece tudo, mas aqui tem coisas que não mudam: a fé do povo de São João del-Rei e o modo como os são-joanenses se relacionam com o que é sagrado. A intimidade de, ainda vivos, transitarem pelos territórios celestes a conversar com os santos, os recursos e expedientes que criaram e sustentam para fazer seus pedidos, empenhar votos, expressar confiança, agradecer intercessões e graças, atravessar séculos e esperar a vida eterna. É isso o que os são-joanenses fazem, com suas incontáveis e quase cotidianas procissões. É isso o que vai ser feito no próximo domingo - o primeiro do mês de agosto - no alto do Bonfim. A festa já começou há mais de uma semana, com novenas e procissões, mas seu ponto máximo será no anoitecer daquele dia, quando o sino, na torre pequenina, dobrará veloz e alegre e foguetes e fogos de artifício lançarão para...

São João del-Rei, em festa, "põe nas coisas as cores que tem por dentro"

Não é sem motivo que muitas comemorações religiosas de São João del-Rei são popularmente chamadas de festas. Afinal, mesmo sendo eventos quase cotidianos no calendário sociocultural da cidade, são "fenômenos" extraordinários, que funcionam como parêntesis na rotina e criam uma nova territorialidade tempo/espaço no dia a dia dos são-joanenses. Sobretudo daqueles que vivem intensamente ou acompanham de perto tudo o que acontece no centro histórico da velha cidade, surgida no alvorecer do século XVIII. Assim como as festas sociais, inclusive as predominantemente profanas, as festas religiosas também são precedidas de desejo, espera e expectativa. Elas são como ponteiros de um relógio memorável, que marca a passagem de um tempo existencial. Para o povo daqui, essa marcação, por ser subjetiva, é mais precisa, importante e acreditada do que a sucessão das estações do ano, que informam quantas voltas a Terra já deu e em que posição ela se encontra no seu giro em torno do sol. ...

O passado está vivo e mora com o tempo nas velhas casas de São João del-Rei

Quem vem conhecer ou visitar São João del-Rei, sabe que vai voltar no tempo. Retornar aos primórdios do século 18, caminhar décadas pelo século 19, acompanhar o desenvolvimento e a modernização do Brasil no século 20 e conhecer a realidade e as perspectivas de uma cidade histórica progressista nesses dois decênios do século 21. Tudo isso andando pelas ruas coloniais surgidas há 300 anos, visitando as igrejas barrocas, museus e monumentos são-joanenses e participando de festas e celebrações que contam sequencialmente três séculos de história, com sua  paisagem natural e urbana, sua arquitetura civil e religiosa e suas tradições sacras e profanas que resistiram ao tempo, se fortaleceram, solidificaram, e são hoje um dos mais ricos patrimônios imateriais do país. E para vivenciar a cidade em toda sua riqueza, diversidade e pluralidade, nada melhor do que se hospedar no centro histórico, que é o coração cultural de São João del-Rei. Nos largos, praças, vielas, ruas estreitas e b...

São João del-Rei. Aposto que aqui tem coisa que você ainda não viu!

Mesmo quem vive em São João del-Rei, e atravessa todo dia as ruas, praças e becos do centro histórico, pode sempre se surpreender com a paisagem. Basta desprender-se do pensamento demasiadamente racional e da visão rotineira dos caminhos e percursos, para deixar livre o olhar e, então, ver o que sequer  imagina. Os telhados, por exemplo, com suas sucessões de muitas águas, formando belas geometrias, com a textura das telhas curvas, coloniais, que alternam cores que vão do marrom e do avermelhado até o quase ocre-rosado das capas e bicas mais novas, que foram trocadas há pouco tempo. Eles mostram uma face surpreendente e praticamente desconhecida da paisagem são-joanense, acostumados que somos a olhar apenas as fachadas do casario. Que também são muito bonitas. Aliás, como são belas as fachadas das casas e sobradões do centro histórico de nossa cidade! Retratando diferentes estilos, característicos principalmente da evolução econômica, social e cultural que marcou São J...

São João del-Rei, com respeito, se curva e"bate paó" pra São Benedito!

Em São João del-Rei, o ano tem 365 dias, e todos eles são de festa. Inclusive não é raro, no calendário religioso, haver dias com mais de uma festa, o que nos leva a pensar que, em nossa terra, o ano precisa ter mais dias, para nele caber melhor todas as festas. E então, com isso, as pessoas são-joanenses viverão muito mais... Aliás, vamos pedir esse milagre a São Benedito? Afinal, não é possível que ele, desde o dia 29 de abril passado recebendo satisfeito as homenagens festivas que a comunidade do Bonfim lhe presta com grande fraternidade, alegria e entusiasmo - tríduo, missas, adorações, bênçãos, orações, cânticos, confraternizações, comunhões, shows e doações - faça a desfeita de não dar importância a este nosso pedido! A festa de São Benedito é singular no calendário religioso de nossa cidade. A começar que ela é devotada a um santo negro e, sendo assim, convém que seja também uma homenagem de lembrança, resgate e reconhecimento a todos os negros que participaram e participa...

Festa de Passos de São João del-Rei.Tempo de Eternidade!

Por mais que já se tenha visto 15, 30, 40, 50, 60 vezes, ou tantos anos mais já se tenha vivido, a emoção que sentimos diante de cada cerimônia da Festa de Passos de São João del-Rei é sempre a mesma: pura enlevação e absoluto encantamento! Como se fosse a primeira vez... Desde cada Via Sacra solene, em que a cruz com o lençol branco, penitencial, e o crucifixo sagrado percorrem nas três primeiras sextas-feiras da Quaresma o mesmo trajeto nas ruas de pedra do centro histórico  há quase 300 anos, parando na igreja de São Francisco e em cada um dos 5 passinhos, delicadamente enfeitados, ao som dos motetos do grande compositor são-joanense Ribeiro Bastos, até as procissões de depósitos, quando as imagens da Senhora das Dores e do Senhor dos Passos saem misteriosamente veladas até as igrejas do Carmo e de São Francisco, ao som das bandas e dos sinos. As duas rasouras, na manhã do domingo, e a Procissão do Encontro, no fim da tarde,  e também até o tocante Setenário das Do...

Museu dos Sinos para comemorar os 305 anos da Vila de São João del-Rei!

305 anos de elevação à categoria de Vila, com o nome de São João del-Rei. Esta é a grande efeméride que nossa cidade comemora no próximo dia 08 (de dezembro), numa festa diversificada, que vai durar mais de três semanas, como tanto gosta o povo são-joanense. Aliás, se tem uma coisa que o povo de São João del-Rei não dispensa é festa, com tudo o que este tipo de acontecimento requer, merece e tem direito: banda de música, apito de trem, fogos de artifício, luzes coloridas, sorriso aberto, roupa nova, perfume, dança animada, comida boa, bebida de primeira, flores, juventude, gentilezas, maturidade, lembranças, agradecimentos, saudades e... toques de sino! - Ah, os toques dos sinos de São João del-Rei. Mesmo com todos os outros encantos histórico-culturais que colocam nossa terra em um lugar destacado frente às milhares de cidades que existem no Brasil e as centenas de milhares que existem no mundo, são eles que coroam a singularidade patrimonial são-joanense. Quando quem fala é a ...

São João del-Rei sempre a encantar. É só abrir o coração, o ouvido e o olhar!

Quando passeamos pelo centro histórico de São João del-Rei, apreciando a paisagem urbana, é comum focarmos nosso olhar no casario e sua arquitetura colonial. As fachadas, brancas em sua maioria, com as portas e janelas coloridas de vermelho, azul. ocre, verde, amarelo, dão à cidade um tom vivo e alegre, capaz de aliviar o humor até da pessoa mais aborrecida. As cores têm esse poder e esse efeito: alegram a vida! Mas se levantarmos um pouco mais o olhar para a linha onde o céu encontra os telhados, principalmente se for ao anoitecer ou amanhecer, certamente vamos nos supreender com algumas formas recortadas que, em geral, não percebemos facilmente na luz do dia. Como por exemplo essa grimpa que fica no ponto mais alto da torre da capela do Divino Espírito Santo, na Rua das Flores - Muxinga. São João del-Rei tem tudo para o tempo todo a nos encantar. É só abrir o coração, os ouvidos e o olhar!