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304 anos da vila de São João del-Rei. 314 anos do Arraial Novo de N. S. do Pilar

Hoje, dia 8 de dezembro, São João del-Rei comemora aniversário. 304 anos de elevação à categoria de vila, em 1713. Na verdade, as origens da cidade nos fazem voltar no mínimo 314 anos, pois, por volta de dez anos antes, em 1703, já se tinha notícia da existência do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes.

Também no dia 8 de dezembro se rende homenagens a Nossa Senhora da Conceição que, podemos dizer, é madrinha de São João del-Rei. Assim como o sol que nasce da noite e ilumina o dia, Nossa Senhora da Conceição mora com São Francisco no lado direito do Córrego do Lenheiro e, de lá, no toque de seu sino, conversa com suas comadres, Nossa Senhora do Pilar, poderosa e excelsa padroeira da cidade, Nossa Senhora do Rosário, doce mãe, conforto, mistério, magia e força dos negros são-joanenses, Nossa Senhora do Carmo, zelosa protetora da prosperidade e da tranquilidade dos filhos carmelitas, e Nossa Senhora das Mercês - a senhora dos favores, libertadora dos cativos, invencível escudo à frente de nossos soldados nas montanhas geladas da Itália, na guerra contra o nazismo inimigo.

Nossa Senhora da Conceição é a única que não tem o Menino Jesus em seu colo. Tem a seus pés uma lua crescente e uma serpente, que tem na boca a maçã que seduziu Eva, condenou Adão e os expulsou do Paraíso. As outras trazem para a humanidade o Salvador infante, inocente, sorridente, contemplativo e sereno. Na mão direita de Nossa Senhora das Mercês ele está transmutado na mais pura e orvalhada natureza, na forma de cravos e rosas brancas, que pendem de um longo buquê de graças, milagres, alegria, saúde, resignação, confiança, persistência, fé, esperança, caridade e todas as virtudes.

Assim, se no céu brasileiro brilha a constelação das Três Marias, no centro de São João del-Rei resplandecem cinco Marias, rezando por nós contra a peste, a fome, a guerra, a ignorância, a indiferença, a violência, a desumanidade, a ganância, o ódio, o racismo, a intolerância, a desonestidade, a brutalidade e tudo aquilo que contém a peçonha e o veneno da besta-fera.

Não aquela, descrita no Apocalipse, mas sim esta que vive entranhada no labirinto de trevas de todo ser humano, provocando tanto sofrimento ao universo.

Como uma homenagem a esta singular cidade, reproduzo abaixo um poema do grande são-joanense Jota Dangelo,  Breves invocações de quem nada merece a quem oferece tudo reproduzido do folheto Exposição Mariana, produzido pela Paróquia do Pilar de São João del-Rei, na Semana Santa de 1995.

Nossa Senhora da Conceição

Que eu não precise, Senhora,
invocar-te em oração.
Que tudo o que eu diga e faça
seja a minha invocação.
Senhora, Senhora minha,
Senhora da Conceição.
.°o0o°.°o0o°.°o0o°.°o0o°.°o0o°.°o0o°.
Texto e foto: Antonio Emilio da Costa

Comentários

  1. Seus textos contém uma percepção fina das belezas da cidade; nos revelam detalhes significativos, que a nós outros passam despercebidos no corre-corre da vida. Parabéns, Emílio, por mais esta excelente contribuição. Cordialmente, Ulisses Passarelli.

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