Pular para o conteúdo principal

Em São João, o Céu desce ao chão, Domingo de Passos, na procissão



Faltam menos de duas semanas para o Domingo de Passos, um dos dias mais belamente impactantes da religiosidade de São João del-Rei. Com suas rasouras, missas cantadas, adoração da Cruz, oque de sinos enfeitados com penachos de papel crepom, procissão do Encontro, canto dos motetos sacros e sermões, é uma tradição grandiosa e singular de nossa cidade e, pela riqueza de sua autenticidade barroca, não encontra similar tão genuína, original, tocante e expressiva em outras partes do mundo. Muito amada pelos são-joanenses, a Festa de Passos é um dos orgulhos de São João del-Rei.

Uma das faces mais bonitas da Festa de Passos é a legião dos anjinhos, com a delicadeza e a inocência das crianças, algumas muito pequenas, às vezes até carregadas no colo,  vestidas com túnicas de cetim claro, coroa de flores miúdas e até com asas. Mas acontece de alguns anos o número de crianças vestidas de anjo ser menor, principalmente porque a Festa de Passos é a primeira grande celebração da Semana Santa e, em nossa cidade, acontece quando a Quaresma ainda está pela metade.

Pensando nisto, este Almanaque Eletrônico, juntamente com a Irmandade dos Passos, com o Museu de Arte Sacra, com a Atitude Cultural, com a Associação dos Amigos de São João del-Rei e com a JUNFEC, lançou o projeto Anjos del-Rei, cujo objetivo é incentivar o aumento da quantidade de anjinhos nas procissões de São João del-Rei, em especial nas atividades do Domingo de Passos, que acontecem em horário muito favorável para as crianças.

Uma das atividades deste projeto em 2016 é esta mensagem dirigida aos pais, mães, tios e padrinhos de crianças que gostariam de sair nas procissões:

.o0o. .o0o. .o0o. .o0o. .o0o. .o0o. .o0o. .o0o. .o0o. .o0o.

Projeto Anjos del-Rei

Com inocentes anjinhos
o Céu desce ao chão
nas belas procissões
de São João del-Rei


Prezado são-joanense,

A infância é uma das fases mais abençoadas, bonitas, felizes e importantes de nossa vida. As coisas boas que vivemos quando somos crianças não esquecemos mais, nem quando crescemos e ficamos adultos. Por isto, as crianças devem aproveitar bem e viver tudo o que a infância lhes oferece.

As procissões de São João del-Rei são muito bonitas, com seus belos andores enfeitados, as irmandades, a banda de música e as crianças vestidas de anjinho. Quanto mais crianças vestidas de anjinhos, mais bonitas são as procissões. Parecem o Céu, onde as crianças, inocentes, adoram a Deus em Seu Trono e brincam em redor de Nossa Senhora e de todos os santos. Por isto, os anjinhos são tradição importante nas procissões de nossa terra.

 Diante disto, convidamos você a proporcionar a seus filhos, netos e sobrinhos a oportunidade de vestir-se de anjinho nas procissões e viver uma experiência de que jamais se esquecerão. É só providenciar uma túnica de cetim de cor clara, uma coroa de flores miúdas (e, se possível, as asas) e comparecer na igreja meia hora antes do início da procissão. Se não for possível fazer a roupa, talvez seja possível conseguir alguma emprestada na Casa Paroquial do Pilar, mas é bom lembrar que existem poucas disponíveis.


Vestir-se de anjinho é agradar a Deus, contribuindo para a beleza das tradições de nossa terra, e também viver uma experiência única e encantadora. Traga sua criança para ser  anjinho em nossas procissões. Elas serão gratas pelo resto da vida!

...................................................................
Texto: Antonio Emilio da Costa
Foto: JUNFEC

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Debaixo de São João del-Rei, existe uma São João del-Rei subterrânea que ninguém conhece.

Debaixo de São João del-Rei existe uma outra São João del-Rei. Subterrânea, de pedra, cheia de ruas, travessas e becos, abertos por escravos no subsolo são-joanense no século XVIII, ao mesmo tempo em que construíam as igrejas de ouro e as pontes de pedra.

A esta cidade ainda ora oculta se chega por 20 betas de grande profundidade, cavadas na rocha terra adentro há certos 300 anos.  Elas se comunicam por meio de longas, estreitas e escuras galerias - veias  e umbigo do ventre mineral de onde se extraíu, durante dois séculos, o metal dourado que valia mais do que o sol.

Não se tem notícia de outra cidade de Minas que tenha igual patrimônio debaixo de seu visível patrimônio. Por isto, quando estas betas tiverem sido limpas e tratadas como um bem histórico, darão a São João del-Rei um atrativo turístico que será único, no Brasil e no mundo.

Atualmente, uma beta, nas imediações do centro histórico, já pode ser visitada e percorrida. Faltam outras 19, já mapeadas, dependendo da sensibiliza…

Padre José Maria Xavier, nascido em São João del-Rei, tinha na testa a estrela da música barroca oitocentista

 Certamente, há quase duzentos anos, ninguém ouviu quando um coro de anjos cantou sobre São João del-Rei. Anunciava que, no dia 23 de agosto de 1819, numa esquina da Rua Santo Antônio, nasceria uma criança mulata, trazendo nas linhas das mãos um destino brilhante: ser um dos grandes - senão o maior - músico colonial mineiro do século XIX. Pouco mais de um mês de nascido, no dia 27 de setembro, (consagrado a São Cosme e São Damião) em cerimônia na Matriz do Pilar, o infante foi batizado com o nome José Maria Xavier.

Ainda na infância, o menino mostrou gosto e vocação para música. Primeiro nos estudos de solfejo, com seu tio, Francisco de Paula Miranda, e, em seguida dominando o violino e o clarinete. Da infância para a adolescência, da música para o estudo das linguas, José Maria aprendeu Latim e Francês, complementando os estudos com História, Geografia e Filosofia. Tão consistente era seu conhecimento que necessitou de apenas um ano para cursar Teologia em Mariana. Assim, já ordenado…

Em São João del-Rei não se duvida: há 250 anos, Tiradentes bem andou pela Rua da Cachaça...

As ruas do centro histórico de São João del-Rei são tão antigas que muitas delas são citadas em documentos datados das primeiras décadas do século XVIII. Salvo poucas exceções, mantiveram seu traçado original, o que permite compreender como era o centro urbano são-joanense logo que o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes tornou-se Vila de São João del-Rei.
O Largo do Rosário, por exemplo, atual Praça Embaixador Gastão da Cunha, surgiu antes mesmo de 1719, pois naquele ano foi benta a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, nele situada e que originalmente lhe deu nome. Também neste ano já existia o Largo da Câmara, hoje, Praça Francisco Neves, conforme registro da compra de imóveis naquele local, para abrigar a sede da Câmara de São João del-Rei. A Rua Resende Costa, que liga o Largo do Carmo ao Largo da Cruz, antigamente chamava-se Rua São Miguel e, em 1727, tinha lojas legalizadas, funcionando com autorização fornecida pelo Senado da Câmara daquela Vila colonial.  Por …