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Nossas Senhoras de São João del-Rei - No Pilar, desde sempre, a Padroeira


Por mais que às vezes deseje estar em silêncio e sozinho, o são-joanense traz sempre alguém consigo, que o acompanha e com quem conversa. Homem ou mulher, criança ou velho, rico ou pobre, nas piores tristezas ou nas mais felizes horas, mudos ou ruidosos, sempre exclamam: Nossa Senhora! Por economia ou discreção, pode ser apenas Nossa! e, dependendo do susto ou do aperto, se resume a uma sílaba: Nó! Tão poucas letras, tamanha é a pressa, a infinita surpresa, o desmedido susto,o sufocante aperto, a desmesurada aflição.

Aliás, Nossa Senhora é madrinha de São João del-Rei. Em seu pilar, veio para cá nos oratórios dos bandeirantes portugueses, no comecinho dos anos setecentos. Viu o arraial transformar-se em vila e teve que proteger o povo das furiosas chamas paulistas e emboabas. Dizem que salvou até as imagens de São Sebastião e São Miguel Arcanjo que, antes na incendiada capela do Morro da Forca, agora habitam a Matriz do Pilar.

O tempo todo Nossa Senhora é festejada em São João del-Rei, todo mês, senão toda semana, tantas são as suas missões e invocações. Sobre isto, o multi-intelectual são-joanense Jota Dangelo, em 1995, escreveu dezenove versos, divulgados na "visitação" de Quinta-Feira Santa do ano de 1995 na igreja do Rosário, quando foram expostas muitas das mais belas imagens de Nossa Senhora veneradas a "terra onde os sinos falam" - a mais barroca cidade de Minas Gerais.

Nesta e nas próximas postagens apresentamos, com satisfação, as preces e os clamores poéticos de Jota Dangelo. Comecemos pela padroeira de São João del-Rei, festejada no dia 12 de outubro.

Nossa Senhora do Pilar
Minha santa padroeira
desta terra de emboabas.
Pilar da fé dos primeiros
que chegaram nestas plagas.
Derrama graças e bênçãos,
cicatriza nossas chagas,
que a cidade anda a deriva,
a mercê de muitas pragas.
Desperta o vale que, inerte,
adormece ao pé da Serra.
Ilumina a consciência
do povo de minha terra!

Texto e foto: Antonio Emilio da Costa



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