Pular para o conteúdo principal

Setembro: um mês inteiro de festa, fé e flor em São João del-Rei


Mesmo que não se explicite, setembro é um dos meses mais ricos da cultura religiosa barroca de São João del-Rei. Desde o dia primeiro até o dia 30, são 44 atividades, entre novenas, ofícios, tríduos e procissões, divididas em oito grandes grupos:  Bom Jesus dos Montes, Bom Jesus de Matosinhos, Bom Jesus do Perdão, Santa Cruz e Nossa Senhora das Dores, as Chagas de São Francisco, Nossa Senhora das Mercês, São Miguel Arcanjo e morte de São Francisco.

Programação tão vasta envolve as paróquias do Pilar (Matriz e Mercês), de São Francisco, do Senhor dos Montes e de Matosinhos, o que possibilita que muitas vezes dois ou três eventos sejam realizados no mesmo dia,

O espírito barroco é tão presente na alma do povo são-joanense que, vencendo os desafios de uma modernidade pasteurizadora e sufocante, as celebrações não perdem força nem desbotam sua importância. Pelo contrário, cada ano mais elas reluzem esplendor, resgatando em tradição a grandeza, o brilho e a fé de tempos passados.

Em 2015, por exemplo, foi assim com as comemorações relativas à Santa Cruz e a Nossa Senhora das Dores, promovidas na matriz do Pilar pela Irmandade de Bom Jesus dos Passos. Para as missas e ofícios próprios para a ocasião, as imagens foram enfeitadas com orquídeas doadas pelos devotos e, pela primeira vez, o Passinho da Piedade, no Largo do Rosário, ficou aberto durante todo o dia 15 deste mês, para visitação dos fiéis.

Costumeiramente, os únicos dias do ano em que o passinho ficava aberto era Sexta-Feira das Lágrimas, Quinta-Feira Santa e Sexta-Feira da Paixão.


................................................
Texto e foto: Antonio Emilio da Costa




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Debaixo de São João del-Rei, existe uma São João del-Rei subterrânea que ninguém conhece.

Debaixo de São João del-Rei existe uma outra São João del-Rei. Subterrânea, de pedra, cheia de ruas, travessas e becos, abertos por escravos no subsolo são-joanense no século XVIII, ao mesmo tempo em que construíam as igrejas de ouro e as pontes de pedra.

A esta cidade ainda ora oculta se chega por 20 betas de grande profundidade, cavadas na rocha terra adentro há certos 300 anos.  Elas se comunicam por meio de longas, estreitas e escuras galerias - veias  e umbigo do ventre mineral de onde se extraíu, durante dois séculos, o metal dourado que valia mais do que o sol.

Não se tem notícia de outra cidade de Minas que tenha igual patrimônio debaixo de seu visível patrimônio. Por isto, quando estas betas tiverem sido limpas e tratadas como um bem histórico, darão a São João del-Rei um atrativo turístico que será único, no Brasil e no mundo.

Atualmente, uma beta, nas imediações do centro histórico, já pode ser visitada e percorrida. Faltam outras 19, já mapeadas, dependendo da sensibiliza…

Padre José Maria Xavier, nascido em São João del-Rei, tinha na testa a estrela da música barroca oitocentista

 Certamente, há quase duzentos anos, ninguém ouviu quando um coro de anjos cantou sobre São João del-Rei. Anunciava que, no dia 23 de agosto de 1819, numa esquina da Rua Santo Antônio, nasceria uma criança mulata, trazendo nas linhas das mãos um destino brilhante: ser um dos grandes - senão o maior - músico colonial mineiro do século XIX. Pouco mais de um mês de nascido, no dia 27 de setembro, (consagrado a São Cosme e São Damião) em cerimônia na Matriz do Pilar, o infante foi batizado com o nome José Maria Xavier.

Ainda na infância, o menino mostrou gosto e vocação para música. Primeiro nos estudos de solfejo, com seu tio, Francisco de Paula Miranda, e, em seguida dominando o violino e o clarinete. Da infância para a adolescência, da música para o estudo das linguas, José Maria aprendeu Latim e Francês, complementando os estudos com História, Geografia e Filosofia. Tão consistente era seu conhecimento que necessitou de apenas um ano para cursar Teologia em Mariana. Assim, já ordenado…

Em São João del-Rei não se duvida: há 250 anos, Tiradentes bem andou pela Rua da Cachaça...

As ruas do centro histórico de São João del-Rei são tão antigas que muitas delas são citadas em documentos datados das primeiras décadas do século XVIII. Salvo poucas exceções, mantiveram seu traçado original, o que permite compreender como era o centro urbano são-joanense logo que o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes tornou-se Vila de São João del-Rei.
O Largo do Rosário, por exemplo, atual Praça Embaixador Gastão da Cunha, surgiu antes mesmo de 1719, pois naquele ano foi benta a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, nele situada e que originalmente lhe deu nome. Também neste ano já existia o Largo da Câmara, hoje, Praça Francisco Neves, conforme registro da compra de imóveis naquele local, para abrigar a sede da Câmara de São João del-Rei. A Rua Resende Costa, que liga o Largo do Carmo ao Largo da Cruz, antigamente chamava-se Rua São Miguel e, em 1727, tinha lojas legalizadas, funcionando com autorização fornecida pelo Senado da Câmara daquela Vila colonial.  Por …