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300 anos - Retratos de São João del-Rei na poesia de J. Dangelo. Igreja de São Francisco

                    "Esta portada me fala                         dos pardos destas gerais.                       Com que metro, em que escala,                       com quantas dores e ais,                       com quanto sangue de escaras                       foram feitas estas lavras?                      E quem as teria lavrado                     sem força de mãos escravas?                     Que prumo usou o pedreiro?                     Que...

A congada, a pluralidade cultural e a transformação social na São João del-Rei de nossos dias

 São João del-Rei é plural em sua cultura. Protegidas pela Serra do Lenheiro e vigiadas pelas torres imponentes das igrejas setecentistas, manifestações culturais diversas convivem pacificamente, se complementam formando um universo único, fértil, fecundo e enriquecedor para todas as formas de expressão. Sejam elas eruditas ou populares. Sagradas ou profanas. Tradicionais ou contemporâneas. Nativas, de origem européia ou africana. A realidade tem mostrado que, quanto mais a sociedade são-joanense evolui e amplia a visão que tem de si mesma e do mundo, mais valoriza a pluralidade, a multiplicidade e a diversidade cultural. E caminha rumo à universalidade. Em relação à congada, é isto o que está acontecendo. Tão antiga na região quanto a própria história de São João del-Rei e de Minas Gerais, esta forma de manifestação e expressão negra é realizada em nossa terra desde os tempos do cativeiro. Naquele tempo colonial distante era coisa de escravos, depois passou a ser vista c...

300 anos - Retratos de São João del-Rei na poesia de J. Dangelo: Largo do Carmo

                            " Sob o olhar da baronesa                               e luzes, então acesas,                               desta Rua da Cachaça                               vejo a igreja e a redondeza.                               O alto portão de ferro                               do Cemitério do Carmo:                               me dispo de vaidades                           ...

Cultura negra, congada e o rosário de tempo, de flores e lágrimas de São João del-Rei

A presença da cultura negra em São João del-Rei é tão forte que chega a ser imperceptível. Isto mesmo. Ela se confunde com a cultura de São João del-Rei, ou melhor, ela é a própria cultura de São João del-Rei. Sempre requintada e profunda, sagrada em suas várias vertentes, ela vai do erudito ao popular, do barroco ao espontâneo. Faz parte da vida, da alvorada ao anoitecer, da concepção à morte. Entretanto, por ser ela tão vital quanto orgânica, o tempo todo cotidiana, São João del-Rei ainda precisa conhecer e reconhecer a presença da cultura negra na composição de seu mosaico de tradições e no caleidoscópio de suas expressões culturais. Neste sentido, a Associação Cultural Casa do Tesouro - Egbê Ilê Omidewea Asè Igbolayo realizou, em maio passado o Encontro de Congadeiros das Vertentes e lança nesta segunda-feira, dia de São João, 24 de junho, o documentário Este rosário é meu . Com duração de 55 minutos, o filme é um registro antropolígico-afetivo do panorama da congada na reg...

Era assim São João del-Rei, há 190 anos atrás: "um dos lugares mais animados do Brasil"

1823. Diminuído o brilho do ouro, já esgotado à flor da terra e escasseado nas betas e galerias, a vila de São João del-Rei florescia como um entreposto comercial de produtos vindos da capital do Império, Rio de Janeiro, e da Europa. Passara-se um ano do grito retumbante que "ouviram do Ipiranga as margens plácidas", libertando o Brasil de Portugal, quando observadores viajantes estrangeiros estiveram em São João del-Rei. O que viram na quarta vila instituída em Minas Gerais, em 1713, assim registraram: . Saint-Hilaire - " Depois que o Brasil se tornou independente e os habitantes de São João del-Rei renunciaram, ao menos em parte, a mineração, esta vila tornou-se centro de considerável comércio, que tende a aumentar com o tempo. " . Spix e Martius - " Quanto aqui é animado o comércio logo se vê pelo fato de fazerem quatro tropas, cada uma de 50 cargueiros, contínuas viagens para lá e para cá da capital anualmente, levando toicinho, queijos, algum t...

300 anos - Retratos de São João del-Rei na poesia de J. Dangelo - Largo do Rosário

                                            " Rosário, tão branca e fria                         é sentinela postada                         que paciente vigia                         a Rua de Santo Antônio.                                                  O padre José Maria,                         de costas para a portada,                         fica olhando bem de frente                     ...

Festival Inverno Cultural 2013 - Milton Nascimento nos 300 anos de São João del-Rei

    Uma palpitação, uma taquicardia, um sopro no coração de São João del-Rei. É assim que as águas correm sob as pontes seculares que se curvam de ponta a ponta sobre o Córrego do Lenheiro. É assim que sinos tocam, que maria fumaça e fábricas apitam, que foguetes espocam no céu de inverno, que bandas de música apressam o passo e o compasso de suas marchas. Tudo isto tem motivo. No presente, deve-se à irmandade que São João del-Rei selou com outras cidades brasileiras, nas manifestações e protestos que, no somatório, pedem dignidade cidadã, decoro político, justiça social, respeito cívico, simbolizados nas reivindicações imediatas e cotidianas. No futuro próximo, pela festa barroca de Nossa Senhora do Carmo e pelo Inverno Cultural, programações já incorporadas ao calendário pessoal e afetivo do povo são-joanense, na travessia de quase todo o mês de julho. E por falar em Travessia, em 2013 com a presença de Milton Nascimento. Esperança, entusiasmo, expectativa, esf...

300 anos - Retratos de São João del-Rei na poesia de J. Dangelo - Rua Direita

               " As casas enfileiradas                   vigiam  rua e pessoas,                       com olhos de guilhotina.                  Entre uma esquina e outra esquina                  alguns sobrados se alteiam.                  No Pilar, ferem a retina                  esguias torres erguidas:                  o * Passos olha de quina                  o * Sacramento empinado.                  O adro me lembra a infância:                  coroinha endia...

São João del-Rei, em festa, dá vivas a Santo Antônio!

Há muito tempo Santo Antônio vive em São João del-Rei. Tanto que, dizem, a rua que responde pelo seu nome surgiu sobre o caminho pelo qual os bandeirantes entraram no Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes, atrás de ouro e muita riqueza. A casa de Santo Antônio é pequenina, delicada e graciosa. Mais parece um oratório barroco do que uma capela. Entre jasmineiros e jaboticabeiras, o santo de Pádua que carrega o Menino Jesus sorridente, sentado em seu braço, é vizinho da centenária Banda Theodoro de Faria e das bicentenárias Orquestras Lira Sanjoanense e Ribeiro Bastos. Especialmente hoje, os casarões e sobrados da Rua Santo Antônio estão enfeitados para saudar o santo padroeiro que por ali passeia todo dia 13 de junho, depois que o sol vai se deitar do outro lado da Serra do Lenheiro. Colchas rendadas, toalhas bordadas, cortinas de linha, vasos de plantas, jarros de flores - tudo nas janelas de uma rua sinuosa, estreita, poética e muito musical. A fachada de m...

Beco do Capitão do Mato: atalho entre o Céu e o "Inferno" na São João del-Rei colonial

Desde seu planejamento urbanístico original, esboçado na segunda década do século XVIII, São João del-Rei aviva antagonismos urbanos próprios do espírito barroco, aqui muito fecundo. A própria geografia local, com seus montanheses altos e baixos, impôs um traçado urbano diversificado, com becos estreitos e ruas sinuosas que se convergem em largos claros, amplos, arejados e esplanados, povoados por chafarizes, pelourinho, lampiões, jardins e monumentos, coroados por templos que são tesouros de outros tempos. Um bequinho muito conhecido, mas quase anônimo, é o que liga a face lateral da igreja do Carmo à Rua da Cachaça e da Alegria. Talvez, porque seu nome lembra a brutalidade e os terrores da escravidão. Beco do Capitão do Mato, diz o historiador Fábio Nelson Guimarães, em sua obra Ruas de São João del-Rei . Menor em extensão, porém tão belo quanto o Beco do Cotovelo, Beco do Salto, Beco da Romeira e Beco da Matriz, a história injustamente não lhe deu a mesma nobreza nem o mesm...