terça-feira, 20 de setembro de 2011

Em São João del-Rei não se duvida: há 250 anos, Tiradentes bem andou pela Rua da Cachaça...

As ruas do centro histórico de São João del-Rei são tão antigas que muitas delas são citadas em documentos datados das primeiras décadas do século XVIII. Salvo poucas exceções, mantiveram seu traçado original, o que permite compreender como era o centro urbano são-joanense logo que o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes tornou-se Vila de São João del-Rei.

O Largo do Rosário, por exemplo, atual Praça Embaixador Gastão da Cunha, surgiu antes mesmo de 1719, pois naquele ano foi benta a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, nele situada e que originalmente lhe deu nome. Também neste ano já existia o Largo da Câmara, hoje, Praça Francisco Neves, conforme registro da compra de imóveis naquele local, para abrigar a sede da Câmara de São João del-Rei. A Rua Resende Costa, que liga o Largo do Carmo ao Largo da Cruz, antigamente chamava-se Rua São Miguel e, em 1727, tinha lojas legalizadas, funcionando com autorização fornecida pelo Senado da Câmara daquela Vila colonial.  Por pouco, dez anos depois não foi construída ali a cadeia pública edificada no Largo do Rosário, em frente à capela da Piedade.

Mal-afamada até os idos de 1980, a Rua da Cachaça, hoje denominada Marechal Bitencourt, ao que parece, desde o século XVIII esteve na boca do povo. Tanto que foi citada até nos Autos da Devassa - documento constituído por depoimentos de pessoas que tiveram envolvimento direto com a Inconfidência Mineira. Consta que o português Manoel Moreira ali residia e tinha taberna, conforme declarou e está registrado nos inquéritos relativos à condenação do movimento libertário encabeçado por Tiradentes. Diante deste fato, teria o grande herói são-joanense frequentado tal taberna, difundindo ali - com  inflamante entusiasmo - seus ideais de liberdade, e por isso o taberneiro acabara comprometido?

Com a decadência e fim da zona de prostituição que ali funcionava, a Rua da Cachaça por muito tempo foi desvalorizada e quase acabou em ruínas. Porém, especialmente na última década, tem sido revalorizada como cenário histórico e se tornado objeto de restauração e revitalização, instalando-se ali importantes instituições culturais e turísticas, como o Centro de Referência Musical José Maria Neves, a sede da Orquestra Popular Livre, o Centro Cultural Feminino, o escritório da Trilha dos Inconfidentes e até uma pousada. Mas ainda tem casarões a se reformar, ideais para abrigar cafés, livrarias, restaurantes típicos, lojas de artesanato e tudo o que junta, no mesmo balaio, cultura, saber, lazer e prazer.
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Ilustração: Rua da Cachaça, rumo ao solar da Baronesa (foto do autor)

Fonte: CINTRA, Sebastião. Revista do IHGSJDR. Vol. VI, pags. 5 a 25. ZAS Gráfica e Editora. Juiz de Fora. 1988.

2 comentários:

  1. Emilio, estou sempre acompanhando as matérias e as histórias de São João Del Rey no seu blog! Assim, consigo matar um pouco da saudade que sinto desta encantadora cidade. abraços e sempre de parabéns

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  2. Valeu, Paulo, bom saber que você está sempre navegando por aqui.

    Quanto à "saudade da encantadora cidade", visite-a mais. Saiba que São João del-Rei é de todos que lhe sabem bem amar.

    Grande abraço.

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